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João Monlevade, MG, Brazil
um pouco de nuvem, estrela, sol e mar, um tanto de dor e lágrima.. e muito mais que tudo isso.. amor!

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sábado, 17 de abril de 2010

Consultoria de sábado à tarde..

Hoje foi a minha primeira consultoria depois que formei, não foi exatamente como eu pensei que fosse, até porque o convite foi de uma amiga, na verdade foi um pedido desesperado de ajuda no meio do supermercado. Ela e o marido são donos de uma loja de artigos esportivos, e precisavam fazer uma reunião para “motivar” seus funcionários. A maioria dos chefes sempre identifica um problema quando a produção cai e o justifica na falta de motivação do funcionário, é bem mais fácil dizer isso que assumir a falta de estruturas favoráveis para se trabalhar. Quando me viu ela disse que eu seria a “solução” dos seus problemas, doce ilusão.. Tudo bem, eu aceitei ajudá-la, mesmo sabendo que seria quase impossível solucionar um problema assim, conhecendo somente a visão do chefe. Faltas sem justificativas, desinteresse no atendimento aos clientes e falta de respeito com a parte gerencial, esses eram alguns dos problemas terríveis que ela me disse colocando a culpa exclusivamente na falta de motivação dos funcionários (coitados..). Preparei um texto que serviu para uma pequena palestra que fiz, na ilusão de que seria compreendida. Os funcionários chegaram e comecei a perceber que eram 15 mulheres – o que gera um fator importantíssimo de competição – e todas com roupas diferentes e sapatos coloridos. Enquanto esperavam começar, conversavam sobre o salto mais alto, o decote mais profundo e alguma grosseria do chefe. Assim que estava tudo pronto o chefe inicia a reunião falando da baixa produtividade com ar de autoridade, o que rendeu alguns risinhos e cochichos das funcionárias.

Na maioria das empresas que contratam o serviço de RH a demanda é sempre a mesma, falta de motivação, e ali não seria diferente, a culpa era toda das “mocinhas” – modo como ele chama suas funcionárias, num tom bastante irônico – que estavam insatisfeitas com condições boas para trabalhar. Mesmo assim fiz minha palestra totalmente neutra em relação à motivação, explicando muito bem o que realmente um funcionário precisa para ser motivado, o que rendeu uma cara fechada do chefe pra mim, mais continuei, mesmo contestando seu perfil de líder totalmente autoritário.
Eu sei que as funcionárias entenderam a sua posição de colaboradoras e que competição de estilo não deveria ser feita ali. O mesmo não foi feito com a gerência, que não ficou satisfeita, pois foi exposta aos seus funcionários e não conseguiu colocar na cabeça dos seus colaboradores que eles eram os responsáveis pelos problemas.


O universo que ainda não aderiu aos serviços estratégicos do RH sempre justifica sua baixa produtividade nos funcionários desmotivados. Ainda é muito difícil inserir um serviço de manutenção do capital humano nas empresas, pois ele é visto como mais um passivo que pode ser descartado. Pequenas empresas podem dispensar esse serviço quando o número de funcionário é bem pequeno, na verdade é mais fácil de “controlar”. Mais ativar esse serviço desde pequenas organizações é importante e muito burocrático para muitas empresas. Implantar um RH totalmente estruturado é ainda mais impossível. Fazer folha de pagamento, admitir, demitir e conciliar no sindicato são funções extremamente rígidas e cansativas, necessárias, porém desgastantes.

O RH estratégico trouxe uma nova visão do ser humano na empresa, e isso ainda está muito escondido. A gerência não consegue enxergar que “cuidar” do fator humano aperfeiçoa não só a produção, mais evita gastos com áreas burocráticas como demissão e admissão. Muitas empresas por falta de estrutura contrata várias pessoas para uma vaga que poderia ser otimizada por um treinamento do profissional que a ocupa. Isso é a valorização do ser humano em seu cargo atual, o incentivo à culturalização do empregado para poder exercer suas funções sem ter que demiti-lo e contratar um mais atualizado. Com o passar do tempo isso fica cada vez mais comum, ao contrário do que se espera, as organizações estão fechando cada vez mais seu interior para os serviços de recursos humanos e não é por falta de divulgação.


Semana passada, comprando roupa em uma loja muito familiar, uma funcionária me perguntou em que eu tinha me formado e quando disse RH ela perguntou surpresa: “O que é isso? Pra que serve?”. O pior é que ela não é a única, desde o ano passado já perdi a conta de quantas pessoas já me perguntaram pra que serve minha profissão. Confesso que não sabia exatamente quanta coisa eu poderia fazer depois que me formasse e todo mundo ainda tem aquela visão restrita do profissional de RH numa sala, entrevistando, fingindo que admiti por competência e não pela vontade da chefia, resolvendo conflitos no sindicato, demitindo, e etc. Funções importantes mais que não melhoram o cotidiano operacional, não motivam e não resolvem problemas organizacionais. Um simples boato que passa nos corredores de uma empresa não é só um simples boato, a alta rotatividade de funcionários não é só uma procura pelo profissional adequado e muitas outras situações que são ignoradas pela gerência, acabam destruindo aos poucos o interior das empresas. Na verdade falta à divulgação das atividades do RH estratégico, aquele que trabalha com o capital mais importante da empresa, o ser humano.

Para finalizar, me lembrei de uma consultoria que fiz na época de faculdade junto com uma amiga, e para nossa surpresa foi muito elogiada. A “empresa” era muito pequena, somente uma funcionária e a proprietária que ficou extremamente feliz quando decidimos ajuda-la em suas dificuldades gerenciais. A felicidade foi tão grande que ela pegou todas as suas contas atrasadas e despejou em cima da mesa e disse: “Toma, é tudo isso que to devendo, vocês vão resolver pra mim?”.
Consultoria não é produzir dinheiro do nada e pagar as dívidas da organização, o profissional precisa identificar os problemas e soluciona-los, não pagando dívidas, mais organizando o “pessoal” da empresa.
Não sei se ajudei a minha amiga, acho que ela esperava que eu fizesse um sermão de motivação e despejasse sobre as “mocinhas”, mais o profissional de RH precisa aprender que, principalmente numa consultoria, não se agrada todo mundo e que na maioria das vezes quando seu trabalho deu bom resultado é quando se agrada os funcionários e não a chefia totalmente.




“O capital humano é o bem mais precioso de qualquer organização, toda empresa, mesmo as cem por cento virtuais, são feitas de pessoas, e sem elas não existe negócio, não existe venda ou vendedor, cliente ou compra.” Fábio Azevedo

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