Hoje é o dia que eu vou mais feliz para academia, sexta-feira, mais ao sair de lá me deu uma angústia bem pequena no peito. Ouvindo uma música triste que me faz bem, me dei conta da frase comprometedora que disse para minha personal.. “Na minha época os adolescentes não eram assim!”, e isso é coisa de gente que esta ficando velha. E o pior é que ela concordou e começamos um diálogo extenso, fazendo analogias “complexas” sobre o que realmente era bom na nossa época (que coisa antiga!). Tudo isso só por causa de um garoto que passou na avenida, completamente fantasiado do personagem Ben10 e com o cabelo espetado pra todos os lados. As comparações cresciam cada vez mais, e o assunto ficava mais “interessante”, principalmente quando chegamos a um tema crucial, que revela realmente quando a pessoa esta mais idosa, desenhos animados e historinhas. “Os desenhos dos anos 80 eram bem melhores!”. Eu concordo, mais esse assunto sempre me deixou curiosa. Por que toda história sempre termina no felizes para sempre? Será que a Branca de Neve foi realmente feliz pra sempre? Será que ninguém atrapalhou a felicidade dela? Hoje não existem príncipes e a concorrência já é grande, imagina ser casada com um de verdade com cavalo branco, castelo e coroa. Acho que eles iludem as pobres crianças que sempre acham que na vida existe um ponto onde se diz o felizes para sempre e a partir disso só acontecem coisas boas. Mais hoje, nenhuma criança acreditaria mais nessas coisas, isso é pra meninos inocentes da minha época (idosa!).
Ontem vi uma reportagem sobre o lançamento no Brasil de Alice no País das Maravilhas do Tim Burton, e as críticas foram positivas. Apesar de muita gente dizer que parece um desfile de moda pra quem não entende de moda, e a história fugir um pouco da história real, a maioria está encantada com os efeitos, as cores e a nova Alice que o diretor criou. Eu não vi o filme e não me despertou interesse. Acho a história da Alice angustiante e triste. Uma menina que cai num buraco, vive em um mundo onde tudo é possível, passa por inúmeros labirintos e ainda tem que aguentar um gato “bonzinho” com um sorriso enorme super sarcástico, isso não me parece uma bela história pra criança. Assim como outros desenhos animados e contos de fadas que, analisados sem um olhar inocente, apresentam algumas intenções “maliciosas”. Não acredito que os jovens que se perderam no parque de diversão são protegidos por aquele mago pequenino que nunca os ajuda de verdade e sempre desaparece quando eles realmente precisam. Adoro o desenho, mais não é tão simples assim. Também não acho muita diversão na Terra do Nunca. Pra mim o Peter Pan tinha um sério problema, ou melhor, o seu criador. Querer ser criança para o resto da vida não é muito comum, geralmente as pessoas se aderem a suas fases e por mais divertido e gostoso que tenha sido sua infância ou adolescência, o desejo natural é não ficar preso em alguma delas. E também acho cruel a triste fama de malvadas que às madrastas ganharam (coitadas), isso sim é muito maldoso. Talvez os contos de fada tem a intenção de, alguma maneira, mostrar para as crianças que, sempre existe uma bruxa na nossa vida, não de chapéu, berruga no nariz e vassoura necessariamente, mais sempre existe algo ou alguém que vai nos atrapalhar. Isso é bem real, assim como quem sempre faz as coisas certas, pratica o bem como as princesas e os príncipes sempre são recompensados com um felizes para sempre. E as fadas? Elas existem, mais não nos concedem 3 desejos, no máximo um conselho que a gente teima em não ouvir.
Acredito que além de ”lições de vida” e muita imaginação, os contos possuem alto teor psicológico (frustado ou não) do autor. No livro A Psicanálise dos Contos de Fadas, de Bruno Bettelheim (que não tive oportunidade de terminar de ler), o autor mostra o verdadeiro sentido, significado, razões e motivações psicológicas dos criadores na produção de uma história.
Enfim, acho que me perdi no meio da postagem, estava falando sobre me sentir uma idosa, ou melhor, estar ficando realmente idosa e ainda não acredito que disse aquela frase do início, justo eu que sempre achava um exagero quando meus pais falavam essas coisas.. Carpinejar é que esta certo, a gente sempre coloca flores e estrelas em nosso passado para subestimar o presente dos filhos, no meu caso, o presente dos adolescentes não tão ingênuos como os da minha época. "lá vem a tal frase do meme": “Provação. Agora eu entendo o que é provação. Provação: significa que a vida está me provando. Mas provação: significa também que estou provando. E provar pode se transformar numa sede cada vez mais insaciável.”
(Cecilia Meireles)
(Cecilia Meireles)

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